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O cantor e compositor brasileiro subirá ao palco do maior festival de rock do país junto com George Benson depois de 27 anos para repetir o show histórico da primeira edição do festival. Ivan Lins fará show gratuito no dia 31 de maio, na comercial 312/313 norte

 


Na última semana uma boa notícia tem tomado as mídias e as redes sociais. Depois de emocionar o público durante show inesquecível em parceria com o jazzista norte-americano George Benson na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, os dois se encontrarão novamente depois de 27 anos no Rock in Rio 2013. A parceria foi anunciada na última sexta-feira (11), durante a divulgação das atrações que subirão ao palco do maior festival de rock do país em setembro do ano que vem.

Para os brasilienses, as notícias boas envolvendo um dos cantores e compositores mais consagrados do Brasil não param. Isso porque antes de subir ao palco do Rock in Rio em 2013, Ivan Lins desembarcará em Brasília ainda este mês. Ele é o convidado especial da 31ª Noite Cultural T-Bone, que será realizada no dia 31 de maio, na entrequadra 312/313 norte, em frente ao açougue cultural.


Com canções que marcaram a história da música popular brasileira desde a década de 70, o cantor e compositor promete embalar o publico com um repertório variado, incluindo os sucessos "Madalena" e "Começar de novo". Assim como em 1985, a apresentação de Ivan Lins em Brasília será mais um capítulo a confirmar a trajetória de sucesso da Noite Cultural, que desde 1998 traz artistas renomados para as ruas da capital e prova que é possível prover cultura de qualidade acessível a todos.

A programação da 31ª Noite Cultural T-Bone inclui também o multi-instrumentista cearense Manassés, radicado em Brasília desde 2011, e o músico e compositor Zelito Passos. As atividades começam às 20 horas.


Por Natalia Emerich

50 Crônicas de Brasília, um passeio pelos acontecimentos que marcaram as décadas de 80 e 90 na cidade. Dia 08 de maio, às 19 horas no Beirute da 109 sul.

Eu, minha pessoa, o cidadão RENIO QUINTAS não aceita esse pedido de desculpas do senhor Nilson Rodrigues por que o considero apenas uma conveniência politica para se livrar do mal estar que criou com sua irresponsabilidade verbal, política e seu boquirrotismo.  A Bienal por mais que tenha pontos positivos pela sua idéia original e pelas inteligências que aqui aportaram, foi contaminada pela  forma pouco transparente e nada republicana desse senhor de conduzi-la e produzi-la, de forma prepotente arrogante e centralizadora, em sua genese já desrespeitando o Artista de Brasília pelo descaso,pela falta de condições minimas que os Artistas de Brasília enfrentaram com horários proibitivos, ou muito cedo, ou com sol quente, sem passagem de som,sem produtores para economizar em uma planilha de 14 MILHÕES! Tudo isso? Não sabemos, há uma sombra assustadora e uma escuridão impenetrável nesse quesito, mas pobre era o som e muito ruim para os "locais" "os prata da casa" "os provincianos e medíocres"  os"sem identidade" , os "gatos pardos", e contrastando som puro e luz perfeita para os nossos queridos convidados, pelo menos isso! Essa discriminação, esse comportamento desrespeitoso, não o credencia a fazer mais nada que se relacione com o fazer cultural da Capital da República. Após essa pororoca de dissabores ainda termos que perdoar esse desrespeito e falta de ética daquele vitupério, pretenso juízo de valor, com um  falso cosmopolitismo este sim provinciano, sobre nosso trabalho e nossa Vida. Em última análise o senhor Nilson questionou que diabos fizemos de nossas vidas nesses últimos 30 anos que não saímos do zero, só derrapando e atolados com nossa paixão na lama vermelha desse amado Planalto, enquanto ele desafiava as leis da gravidade flutuando nos píncaros de seu inflado Ego. Estes impropérios o descredenciam completamente como um interlocutor da Secretaria de Estado da Cultura em nossa Cidade. Que fique restrito aos seus Cinemas. Não considero que  esse senhor tenha possibilidade moral ou ética para propor, participar, produzir ou incrementar qualquer projeto que tenha a Cultura do DF em tela como aqueles que lhe foram confiados e que ele desconsiderou e desrespeitou: O Festival do Cinema de Brasília, Aniversário de Brasília e agora a Bienal, que fez tendo que aturar todos os medíocres e provincianos que povoam e embalam a alma de nossa amada Cidade. Sua falta de respeito com o Movimento Cultural do DF foi muito mais fundo que esse raso, burocrático e patético pedido de desculpas. As pessoas tem que aprender a ser responsáveis pelo que falam, falta muito ainda para esse senhor ser perdoado por esse chão vermelho, por nossos corações planaltinos, por nossas árvores tortas mas de profundas raízes.Vá procurar sua turma senhor Nilson Rodrigues.

Abs muita Arte, muito Som,

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Maestro
Renio

As manifestações artísticas e culturais de rua do Distrito Federal estão a um passo de alcançar a liberdade para a ocupação dos espaços públicos da capital e finalmente de superar burocracias. Idealizado pelo movimento Viva Arte, o Projeto de Lei nº 408/2011 de autoria do deputado distrital Wasny de Roure (PT) determina o fim de qualquer censura, coerção, proibição, bem como o fim de pagamento de taxas, emolumentos, tributos e outros impostos para a ocupação de áreas públicas pelos artistas. A proposta foi aprovada em março de 2012, na Câmara Legislativa. Para virar lei, basta ser sancionada pelo governador Agnelo Queiroz. “O projeto procura valorizar as manifestações de rua e incentivar o uso de espaços gratuitos para que o movimento cultural seja estimulado”, defende Wasny.

 

 Segundo o deputado, o modelo arquitetônico de Brasília é favorável a movimentos artísticos públicos e a futura lei assegura o desenvolvimento de atividades culturais locais no DF, almejadas pela população que há décadas luta pelo acesso mais democrático à cultura. O projeto de lei estabelece ainda que os responsáveis pelas manifestações artísticas informem à Administração Regional sobre o projeto para que não haja choque de datas, locais e horários com outras atividades.

 

No caso de grandes eventos, que possam vir a comprometer o trânsito e o fluxo de pessoas em áreas urbanas, a Administração Regional, a Polícia Militar e o Departamento de Trânsito devem ser comunicados com antecedência para autorização “As manifestações artísticas devem ser feitas com critério e respeito para não prejudicar outras atividades imprescindíveis à população”, destaca Wasny.

 

Por Natalia Emerich

 Queridos amigos e amigas,

Hoje é o dia de aniversário mais triste de minha existencia ao constatar que no Governo que elegemos o olhar da Secretaria de Estado da Cultura do DF para conosco Artistas da Cidade continua sendo sem tirar nem por uma pedra, uma lágrima ou uma letra de completo afastamento falta total de comunicação e o que é pior de respeito. Recebemos o mais burocrático e virulento edital de aniversário de todos os tempos desde que milito na Cultura do DF. Não há um traço de parceria, carinho ou gentileza, aos inimigos, o que parece, os rigores da Lei. Não há méritos, não há distinção se o Artista tem décadas ou meses de trabalho, isso será visto depois que abrirem os envelopes que deverão ser de 1 metro de largura com o excesso absurdo de exigencias descabidas e despropositadas,  como duas fotos 15 x 20 COLORIDAS de alguem que nem sabe se será selecionado! Se metem na formação dos grupos como se o Estado tivesse qualquer competencia para determinar quantos musicos devem ou não estar fazendo parte para tocarmos essa ou aquela música. E os Mestres da Cultura Popular, como vão se haver com aquela carga burocratica? É uma mentira da diversidade e da "democratização" o acesso ao aniversario da Cidade. Isso em 4 dias? QUE ABSURDO! Nos nivelam a todos por baixo como se fossemos um bando de moleques desocupados e catarrentos que a cada aniversário se arvora em tentar enganar o Governo fazendo-os pagar mais do que valemos... É um vexame o que estamos vivendo, a arrogancia e a prepotencia que exararam de algumas pessoas que foram muito próximas de mim na tentativa de justificar esse destempero burocratico me doeu muito fundo no coração. Essas pessoas não aprenderam com nosso carinho e nossa coragem ao enfrentar com o Brasilia outros 50 aquela Canalha que desgovernava Brasília com o melhor aniversario que Brasilia já viu com toda a comunidade cultural irmanada em uma só direção provar que aqueles que estavam sendo excluidos são iguais ou melhores do que o estado contratava, com um preço que foi de um oitavo do que os caras gastaram contratando mesno de um terço dos 1200 artistas que se apresentaram lá. Não percebram que é importante que nossa auto estima seja alavancada que passamos mais de 20 anos sitiados mesmo que com Cristovam houveram erros mas não a tentaitva torpe de desconstruir o tecido social e a separação fatal que essa sim foram competenetes em nos afastar de nosso Público, da Capital da República,que mesmo assim a duras penas e com muito sacrificio conseguimos cativar e animamos e mantemso a cidade viva, musical teatral circal fotografal etc e tal que temos hoje. Essa gestão não tem mais direito de errar! Engulimos os equivocos do ano passado com a apciencia de quem cuida de uma criança que engatinha e que aprende a exercer o duro oficio de governar diante do cipoal de leis que temos, mas que mesmo assim os ladr~eos estão ai roubando mais que nunca, mas que entendemos! Mas agora não ao nos colocar diante do nariz a ameaça de não ter um Backline de carregar amplificadores e nbaterias nas costas por que não teremos transporte do Governo e vendo caetano Veloso com todo o respeito que merece ganahando seu cahe de mercado de 150.000 e que o maximo do pro-labore pro topo da piramide daqui é de 15.000 com toda essa maratona que nos obrigam é humilhante constrangedor e triste muito triste. Vou celebrar minha chegada ao Planeta sem me deixar abater por essa violência e tentar vencer essa machucadura que nos impõem goela abaixo, mas iremos cobrar uma atitude de quem pretendeu gerir uma das Culturas mais ricas e diversas que temos aqui que conseguimos construir nesses 52 anos de existencia. Nos respeitem, nos deixem trabalhar, de forma digna e honesta que sempre tratamos nosso oficio. Respeito, Carinho e Amor mais do que por nós por nossa Cidade. Não nos maltratem tanto! É isso meus queeridos todos e todas perdão pelo tamanho do desabafo, fiquem com  Deus e Boa Sorte, vamos precisar muito dela nos proximos dois anos se as coisas continuarem assim!

Abs muita Arte, muito Som!


Maestro Renio Quintas

 

Caros leitores, também atendendo a pedidos de vários artistas e leitores do blog, subimos a entrevista com o governador Agnelo Queiroz, ainda na época das eleições, em 2010.

 

 

Mais de cem pessoas compareceram à primeira noite do projeto O candidato da cultura, entre elas nomes conhecidos da cultura, como Joãosinho Trinta e Vladimir Carvalho, além de alguns aliados de Agnelo, como dos candidatos a senador Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg.

 

A movimentação começou antes das 19h, e o evento chegou a ser ameaçado com a presença do Detran, que obrigou a organização a retirar as cadeiras e a tenda que ocupavam algumas vagas do estacionamento. Apesar de a ocupação do estacionamento ocorrer em todos eventos do T-Bone, essa foi a primeira vez que o Detran agiu desta forma. Mesmo com a retirada das cadeiras, que foram redistribuidas na calçada, o público presente continuou ocupando o estacionamento, só que de pé, como forma de protesto.

 

Agnelo Queiroz chegou por por volta das 20h30, fez uma breve apresentação e em seguida foi submetido às perguntas do público, expondo suas metas e sua postura para com a política cultural no Distrito Federal.

 

 

O mediador Paulo José Cunha abriu os trabalhos falando do projeto:

Em seguida, Agnelo se apresentou e explicou brevemente algumas de suas propostas:

Terminadas as apresentações, começou a sabatina do público. Confira as perguntas seguidas de suas respostas em áudio:

“Qual será o critério para a escolha do secretário de Cultura?"

"A secretaria de Cultura vai ficar com o PMDB?”

“Qual será a posição do seu governo no sentido de promover e realizar a restauração do quadro das artes e da cultura de Brasília ante a demanda e ao sucateamento do movimento cultural?”

“Brasília é o quarto pólo produtor de cinema e vídeo do país. O que o senhor fará para revitalizar o Pólo de Cinema e Vídeo do DF?”

“Quanto por cento do orçamento do DF será destinado à cultura? O que o senhor pretende fazer em relação ao Cine Brasília, FAC, e Festival de Cinema de Brasília?”

“O que o senhor acha de iniciativas culturais como a do T-Bone?”

“Alguns movimentos culturais foram prejudicados pelos governos anteriores, como o Galinho de Brasília e a Oficina do Perdiz. O que o senhor vai fazer para recuperar e reintegrar estes eventos?”

“A gente observa no DF um sucateamento não apenas das estruturas e dos equipamentos de cultura, mas das próprias iniciativas, como é o caso da feira do livro e da bienal de poesia. Como atrair para a área da cultura os setores que têm dinheiro?”

“O senhor tem alguma proposta de reestruturação da secretaria de Cultura? Seria possível a integração de projetos entre as várias secretarias?”

“Qual seu plano para levar cultura às comunidades periféricas?”

“O orçamento estabelecido para a cultura será utilizado na íntegra?“

“Qual é a proposta do futuro governo para atender aos artesãos do Distrito Federal?”

“Após demonstrações de maturidade da classe cultural brasiliense – tendo como exemplo o projeto Brasília Outros 50, cuja semente foi plantada aqui no T-Bone –, o senhor acataria uma lista tríplice do segmento para o cargo de secretário de Cultura?”

“Temos pouca cultura popular nas escolas. Você pensa em valorizar a relação da cultura com a educação pública?”


“Qual a sua proposta de política pública de estímulo e fomento ao livro e à leitura?”

“Qual é a sua proposta para a revitalização dos segmentos culturais do DF para geração de emprego e renda?”

“O que você tem a dizer sobre o PRONAC, do governo Lula?”

“O senhor se comprometeria, se eleito, a enviar o seu secretário de cultura semestralmente para discutir o andamento da política cultural aqui, no T-Bone?”

 

Terminadas as perguntas, o anfitrião Luiz Amorim fez o discurso de encerramento e em seguida Agnelo proferiu suas palavras finais.

 

Caros leitores, atendendo vários pedidos, subimos o post sobre a partcipação do secretário de Cultura do DF, no dia 03 março de 2011! 

As atrações começaram cedo, às 18 h, com apresentações de teatro de bonecos. Os bonequeiros Onildo Junior e Carlos Machado prenderam a atenção da criançada do começo ao fim de suas apresentações. Na sequência, foi a vez do cantor Túlio Borges se apresentar, em um show com participação especial da cantora Litieh Pacelle. A atração seguinte entrou em campo com o jogo ganho. Os fãs da cantora e compositora Lucina cantaram junto quase todas as músicas do show “+ do que Parece”, que ela apresentou ao lado do músico Daniel Sant’ Ana no violão e no bandolim. A cantora agradou tanto que teve que voltar para um bis.

 

Terminados os shows, chegou a hora do secretário de Cultura, Hamilton Pereira, ser sabatinado pelo público. Debatendo com o cineasta Vladimir Carvalho e o poeta Nicolas Behr, com mediação do jornalista Paulo José Cunha, o secretário de Cultura apresentou os principais pontos do seu programa, respondeu a perguntas do público e prometeu voltar ao T-Bone no fim do ano para fazer uma avaliação do seu trabalho diante da classe artística e da população. Confira a seguir o podcast com o debate na íntegra.

 Parte 1 / Parte 2 / Parte 3 / Parte 4

 

 


Integrantes do Movimento Viva Arte durante reunião nesta terça-feira (14)

 

Esta foi a conclusão foi tirada em reunião do movimento Viva Arte na terça-feira dia 13 de março. Com a presença  de artistas e produtores culturais da cidade a reunião debateu temas como o diálogo necessário entre a classe artística e o estado, linhas de financiamento de projetos, apoio à produção local  e ações para modificar o panorama atual .

Ao final do encontro os participantes concluíram  que é necessário uma grande mobilização da classe junto aos colegas e também envolvendo a população do Distrito Federal.

No próximo dia 29, acontecerá a primeira Quinta Cultural do T-Bone de 2012 com a presença do Secretário de Cultura Hamilton Pereira que debaterá com os membros do movimento Viva Arte e com o público o seu primeiro ano à frente da Secretaria de Cultura do DF.

A Quinta Cultural acontece na entre quadra 312/313 Norte e  começa Às 19 horas com teatro de bonecos e show do cantor e compositor Zé Geraldo. A entrada é franca. 

 


Fabrízio Morelo

O poeta, compositor e advogado, Fabrízio Morelo,  nasceu na Asa Norte no verão de 1974, onde passou toda sua infância e juventude e conheceu o bandolinista Hamilton de Holanda com quem fez seus primeiros sambas. Em 1999, depois de se formar em Direito retirou-se para Minas Gerais e viveu durante um ano numa comunidade rural de 256 habitantes chamada Beija-flor, no município de Tocantins. Na ocasião, foi convidado para assumir a Secretaria de Cultura da cidade. Exerceu a função por dois anos e retornou a Brasília em meados de 2002. Membro do Movimento Viva Arte, Fabrízio fala sobre políticas culturais na capital e também sobre a importância de movimentos sociais em defesa da cultura do Distrito Federal.

Você acredita que a arte ainda é vista como pauta secundária na agenda dos nossos governantes?
Acredito. Acredito inclusive que isto se dá, em parte, porque a forja dos homens de política é completamente diversa daquela que forja os artistas e a consciência que estes têm sobre o quanto a arte é fundamental para o sucesso de um povo escapa à daqueles no ordinário da vida.  E quando este segundo plano não é estabelecido pela ignorância do burocrata quanto ao papel fundamental que a arte exerce na formação das gentes, muitas vezes esbarra na incapacidade administrativa do artista que se propõe à função estatal de promover as políticas culturais. 

E em relação ao público, você tem a sensação  de que hoje há um interesse maior na arte ou menor do que algumas décadas atrás?
Tenho mais que uma sensação desse interesse maior. Somos mais que nunca. Somos sete bilhões. E hoje o acesso é inacreditavelmente mais fácil do que há trinta anos. Por exemplo: há pouco fui convidado a participar de um programa na TV Justiça para tratar do Lunário Perpétuo, que dá nome a um DVD do Antônio Nóbrega. Antes de aceitar ou não o convite procurei na biblioteca de casa o que tenho sobre o assunto na prateleira onde fica o Câmara Cascudo. Dizem que o velho morreu cego, mas com seu Lunário Perpétuo na cabeceira. Em seguida perguntei ao Aloísio Brandão, que tem sua poesia muito ligada às tradições nordestinas, se ele tinha ou sabia de alguém que tivesse um exemplar. Como nem uma coisa nem outra, acabei por encontrar uma edição de 1614 no sítio de uma biblioteca portuguesa na rede. Ou seja: de casa eu pude consultar uma obra que, há muito pouco, me seria impossível. Vou falar uma obviedade, mas acredito que o interesse tem uma forte relação com o acesso. E, deste ponto de vista, como somos mais gentes e temos mais acesso concluo que o nosso interesse por arte hoje é maior que ontem.


Que tipo de políticas públicas você acredita que podem promover o acesso da população às produções artísticas?
Eu me ocupei na função de secretário Municipal de Cultura da cidade onde nasceram meus pais, em Minas, entre os anos de 2001 e 2002. Município pequeno na Zona da Mata, 15 mil habitantes, chamado Tocantins. A cidade não tinha uma biblioteca, um cinema, que dirá um teatro. Nem Secretaria de Cultura existia no organograma da prefeitura. A biblioteca nós conseguimos. Abrir espaço pros artistas locais, também. Levamos a Adélia Prado pra conversar com a professorada, o Hamilton de Holanda pra tocar na praça, mas não consegui fazer com que encontros como estes se tornassem, de fato, uma política pública. Garantir no orçamento, pra aquele e mais um par de anos próximos. E não consegui pelos motivos que elenquei na primeira resposta. Pela falta de sensibilidade de quem esteve acima de mim na ordenação das despesas e também, claro, pela dificuldade que tive no trato das questões ordinárias da política.

Claro que em Brasília essas políticas públicas ganham dimensão e complexidade proporcionais ao seu tamanho e idiossincrasias. Mas uma das coisas que me parece seja comum a quaisquer lugares, pequenos ou grandes, é a necessidade de o Poder Público valorizar e promover os artistas locais durante o ano inteiro.


Qual o seu envolvimento com a cultura do DF?
Nasci e cresci aqui, não é? E algum envolvimento ia acabar tendo de qualquer maneira. Mas, mais do que isto eu tenho tido a sorte de frequentar e ser bem recebido em casas e por pessoas muito importantes e significativas na cultura de Brasília. Gente que eu admiro, várias delas, desde menino.  Então, basicamente, eu diria que o meu envolvimento é publicar os poemas que faço, um sambinha aqui, outro acolá, mas, especialmente, o de um espectador privilegiado.

 

O que significa participar do Movimento Viva Arte?
Um privilégio. O Amorim é uma figura notável. Um sujeito que trabalha na perspectiva de ter pra distribuir, pra dividir é fácil querer estar junto. Então ele consegue aglutinar em torno de si uma carrada de gente boa. Fazer parte desse movimento a convite do Amorim, pra mim, é um grande privilégio.

 

Você acha que movimentos com este, que unem a classe artística, é uma boa forma para conseguir mais espaço?
Sem dúvida. Mais gente demanda mais espaço.
 

O Viva Arte tem o objetivo de discutir os caminhos da produção cultural no DF. Que caminho você acha mais interessante de ser seguido?

Acredito que os rumos do movimento vêm sendo bem discutidos, mas inda não aponta para um caminho novo, que reflita a qualidade deste ajuntamento. Temos reunidos neste movimento grande parte das pessoas que fundaram Brasília artisticamente. Daqueles que adotaram a cidade e por ela foram adotados. Costumo brincar com o Vicente Sá que ele é um poeta brasiliense daqueles ainda nascidos no Maranhão, por exemplo. Ele e outros tantos formadores reunidos, têm uma possibilidade de transformação na sociedade em que vivem já bastante conhecida quando se fala do trato individual de seus talentos. A partir daí eu acredito que este movimento vai dar mais ainda o que falar quando for conhecido o trato à bola que estes talentos individuais podem dar em conjunto. E acredito porque, de fato, já vem dando certo, ainda que de uma forma embrionária. Quando essa criança ganhar uma identidade, quando crescer mais um pouco, vai valer a pena tanto pra quem de alguma forma a gestou quanto pra quem vive arte em Brasília,
ou seja, pra quem vive em Brasília. Pode apostar nisso.

 

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O Viva Arte é um observatório da cultura permanente que tem como objetivo mobilizar todas as forças das artes de Brasília, para que juntas possam influenciar nas políticas de apoio e incentivo à cultura no DF. O movimento conta com aqueles que ajudaram e ainda contribuem com o desenvolvimento da cultura na capital federal e não tem caráter político partidário, o seu compromisso é em defesa da arte produzida na cidade.