Movimento Cultural Viva Arte inicia debate sobre política cultural da cidade
Por Ivana Sant'Anna
O primeiro encontro do Movimento Viva Arte foi repleto de ideias bacanas e colocações importantes sobre a situação da cultura no Distrito Federal. A abertura ficou por conta do mímico Miquéias Paz que, com sua simpatia, apresentou os integrantes do Movimento e ressaltou o momento delicado por qual passa a cultura em Brasília: “ Somos todos provocadores de um bate papo que pretende concentrar forças para mudar o quadro cultural da cidade”. Os integrantes, aqueles que fazem algo pela cultura local, expuseram, por cinco minutos, o que pensam sobre a democratização de atos culturais em Brasília. O tempo, que pareceu pequeno, foi suficiente para pensar e refletir sobre uma nova e livre política cultural para a cidade.
O cineasta e documentarista Wladimir Carvalho abriu a ideia da mesa-redonda (qie fisicamente não existiu, mas a essência sim) proposta pelos coordenadores do movimento: o poeta Vicente Sá e Luiz Amorim, do T-Bone. “ Precisamos fazer um diagnóstico de peso das reivindicações de cada setor. Que cultura queremos desenvolver para e na cidade? Não podemos ficar discutindo um assunto tão importante entre nós”, enfatizou Wladimir. O maestro e compositor Jorge Antunes também passeou na mesma linha: “ Estamos sem interlocutores culturais em Brasília e além disso, precisamos parar de ter essa postura ingênua de que somos agraciados pelas políticas culturais”, ressaltou.
“Se, informalmente, a classe cultural e artística não tinha apoio, agora é que não temos mesmo”: foi o que afirmou o jornalista José Paulo Cunha que se diz chateado com a situação cultural da cidade. “ Não suporto ver o que Brasília está passando em termos de políticas culturais. Acredito que podemos nos apropriar do que é nosso e elegermos representantes e interlocutores para nos dar voz”, concluiu o jornalista. Opinião também defendida pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, Romário Schettino: “ Acho que esse é o momento de organizarmos um movimento nesse sentido, pois temos muita vontade de mudar um pouco o quadro cultural da cidade”. E Schettino ainda brincou com a situação política da cidade: “ O que nos reúne aqui é a crise provocada por um cineasta amador que atende pelo nome de Durval. A Durval Filmes criou na cidade um clima de total descarga sanitária da política – o que respinga na cultura de Brasília”, provocou.
A poetisa Amneres também deixou seu recado de descontentamento por meio do texto “Ousiders” (disponível no blog) escrito momentos antes da reunião. Augusto Cacá, da Tribo das Artes, foi além: “ Esse tipo de reflexão nos leva a um patamar futuro: o de levar as pessoas às ruas para fazer parte da luta a favor dos direitos culturais da nossa cidade”. Já o maestro, compositor e produtor cultural Rênio Quintas afirmou que ' não existe nada que uma mais do que a arte'. “Precisamos transformar essa realidade em um movimento real, ter soluções práticas e só conseguimos fazer funcionar com pessoas que realmente façam parte da cultura local”, observou Rênio.
O jornalista Luiz Turiba acredita que o Movimento está fazendo história. “ Esse é um momento histórico, pois estamos vendo o fracasso da política de Brasília e isso é muito grave. Nós, do Movimento Viva Arte, não iremos fracassar junto com a classe política”, relatou. O também jornalista Luiz Martins concorda: “ Estamos aqui como os cara-pintadas da cultura. Estamos aqui assistindo algo que é um embrião de novas propostas e essa mobilização tem que ser permanente”, afirmou. O poeta Menezes e Moraes sugere que “ temos que celebrar os 50 anos da capital de forma paralela e inteligente. Vamos mudar a cara e a direção da cultura de Brasília”.
Em pouco menos de duas horas, os integrantes do Movimento Viva Arte expuseram suas idéias para tentar dar um novo rumo à política cultural da cidade. Depois das poucas, porém significativas palavras dos participantes, Luiz Amorim e Vicente Sá- coordenadores do Movimento – agradeceram a presença de todos que foram agraciados com a performance do ator Adeilton Lima e da apresentação da antiga e não menos importante, Liga Tripa. E assim, continuaremos a lutar pelos ideais culturais para uma nova Brasília.