Nascido em Pedreiras, no Maranhão, o poeta Vicente Sá cresceu em Brasília e, segundo ele, adotou e foi adotado pela cidade. Tem seis livros publicados e está trabalhando em outro, que deve lançar ainda este ano. Como letrista, já teve suas músicas gravadas por Liga Tripa, Célia Porto, Aloísio Brandão e Goya, entre outros. Atualmente tem vários parceiros músicos na cidade, como Sérgio Duboc, Aldo Justo, Flávio Faria, Goya, Aloisio Brandão, Lucina (de Luli e Lucina). Para se sustentar, trabalha também como jornalista e roteirista, mas se considera principalmente e essencialmente poeta.
Ser artista em Brasília é um trabalho ingrato?Vicente Sá - Ser artista, em qualquer lugar do mundo, é uma coisa maravilhosa. Pode ser complicado devido à falta de liberdade (como nos tempos da Ditadura) ou devido ao desprezo dos governantes pela cultura, como é o caso dos anteriores e dos atuais administadores do DF. Mas é sempre um trabalho importante e maravilhoso.
Que tipo de carências o artista brasiliense tem?
Vicente - Muitas. Falta inicialmente uma preocupação com a cultura de Brasília, com seus representantes, com possibilitar locais para que os artistas possam mostrar seu trabalho, possam se apresentar, facilitar o itercâmbio com as pessoas de todos os cantos da cidade, e principalemente ouvir todos os setores de cultura da cidade. Assim os diversos segmentos de arte mostram suas necessidades e seus anseios.
O governo do DF dá o devido valor à cultura local?
Vicente - Não. Nunca ouviu nem ouve os artistas. Não tem um cadastro do que fazemos e do que precisamos. É uma falta de respeito pela cidade. Nós somos o maior patrimônio cultural da cidade. Precisamos ser ouvidos e apoiados.
Há quantos anos você faz poesia em Brasília? Nesse tempo, você acha que houve alguma evolução nas políticas governamentais em prol da cultura?
Vicente - Há mais ou menos 30 anos e pouco foi feito. No governo Cristovam Buarque ainda foi tentado alguma coisa, mas de forma embrionária e não chegou a ser aprofundada. Ainda mais que o governo depois apagou tudo que tinha sido feito. Um verdadeiro desperdício de trabalho e dinheiro público. Uma falta de responsabilidade com a nossa cidade.
Em que sentido você acha que o movimento Viva Arte pode ajudar na criação de políticas públicas para a cultura do DF?
Vicente - A idéia é maravilhosa. Precisamos tomar pé do que está sendo feito, quem somos, fazer um cadastramento nosso, já que o Estado não faz. A partir daí desenvolver as sugestões e eleaborarmos um projeto de cultura para a cidade. Em todos os ramos da cultura. Da poesia à pintura, passando pelo teatro, musica etc. Só através dos artistas e dos produtores culturais teremos uma visão da realidade e das necessidades de Brasília e das outras cidades para podermos , com certeza, dizermos o que queremos e o que precisamos.