Gadelha Neto é músico, compositor, cantor e jornalista, não necessariamente nesta ordem. Nascido no Rio de Janeiro, chegou a Brasília em 1958 - há, portanto, 52 anos. Participou dos movimentos artísticos do final dos anos 1970 quando, em parceria com o poeta Vicente Sá, realizou vários espetáculos poético-musicais - incomuns, àquela época - como As Aventuras do Valente Cavaleiro na Noite do Medo, Tocarina (este também com o compositor Aloísio Brandão), No Rumo da Venta. Ainda com Vicente Sá e participação de vários músicos da cidade, como Toninho Maia, Jorge Macarrão, Flávio Faria e outros, lançou, nos primórdios da produção discográfica candanga, o compacto triplo Fogo Cerrado, reunindo música e poesia.
Qual o seu envolvimento com a cultura?
Sou músico, cantor e compositor e participei ativamente do chamado boom da música brasiliense - nos anos 70/80. Na época, eu e outros músicos e poetas fundamos a Cooperativa de Compositores e Poetas (CCOOPO) que, com o apoio do Sesc, realizou diversos espetáculos, publicou livros da geração mimeógrafo e buscou, acima de tudo, influir nas políticas culturais da época. Existe uma união entre os artistas da cidade? A minha experiência demonstra que sim, mas este é um processo muito difícil dadas as diferentes expectativas de cada um. Não é uma categoria homogênea - ainda bem!
O que é para você o movimento Viva Arte?
Trata-se de uma excelente iniciativa, e é de se esperar que o caminho difícil não seja empecilho para que avancemos em trabalho conjunto e em políticas públicas adequadas à produção cultural candanga.
Você acha que movimentos com este, que unem a classe artística, é uma boa forma para conseguir espaço?
Mais do que isto, é uma boa forma de discutir, evoluir, firmar novas parcerias. É uma forma de engrandecer nosso trabalho.
O que acha do incentivo à arte no Distrito Federal?
Acho que ainda tem muito o que crescer e se aperfeiçoar. É preciso transparência, acima de tudo, mais criatividade. Me parece que faltam projetos mais ousados que engajem a cultura e o público locais. Acho que, além de incentivar a arte, o poder público tem a obrigação de criar platéias, meios de produção artística, abrir perspectivas aos artistas locais não apenas aqui mas em qualquer outro estado brasileiro. Já temos qualidade. É preciso que a platéia saiba disto.
O Viva Arte tem o objetivo de discutir os caminhos da produção cultural no DF. Que caminho você acha mais interessante de ser seguido?
O caminho da discussão, do debate, do diálogo e do entendimento, em primeiro lugar. Só é possível trabalhar em conjunto quando há muito mais pontos em comum do que divergências entre as partes. É preciso deixar guardado aquilo em que divergimos e trabalhar naquilo em que concordamos para criar um senso comum e um objetivo coletivo.