Luiz Martins é poeta, jornalista, professor da UnB e membro do movimento Viva Arte. Trabalhou em diversos órgãos de imprensa (Jornal de Brasília, Globo, Veja e Ciência Hoje, entre outros) e é professor concursado da UnB desde 1988. É pesquisador desde 1990, período em que tem orientado sucessivamente pesquisas de iniciação científica. Na UnB, integra a Linha de Pesquisa "Jornalismo e Sociedade" com o projeto "A ideia do pós-jornalismo". Como poeta, tem vários livros publicados e participação em antologias e tirou 1o. lugar no Concurso Nacional Cassiano Nunes, em 2009.
O que você achou da escolha do Hamilton Pereira como novo Secretário de Cultura?
Um acerto, já que se trata de uma pessoa de competência já comprovada na gestão da cultura, idônea e também um artista.
Se você estivesse no lugar dele, quais seriam suas primeiras medidas em prol do setor cultural do DF?
Medidas para que o povo e não apenas as elites tenham acesso à cultura e às manifestações culturais, especialmente em relação aos grupos que preservam as manifestações populares e folclóricas. O cinema, por exemplo, tem de ir ao povo, já que o povo, nos fins de semana, está na periferia descansando e se fosse ver um filme pagaria caríssimo. Outra providência é dar todo apoio aos pontos de cultura e aos projetos de levar cultura e produtos culturais ao povo. Seria uma forma de inclusão do cidadão aos bens da cultura, materiais e simbólicos.
Que tipo de ações você acha que o Viva Arte pode encabeçar para pressionar o poder público a dar mais atenção para a arte?
O Viva Arte tem de funcionar como um Observatório da Cultura no DF, monitorando as decisões e avaliando o resultado delas e ainda propondo medidas, sugerindo propostas e fazendo uma leitura crítica permanente das políticas públicas e sociais no que elas tangenciam a cultura.
Uma das pretensões do Viva Arte é promover um diálogo entre a classe artística e o poder executivo e legislativo para que sejam traçadas novas políticas públicas para a cultura local. Você acha que isso é possível ou é utópico demais?
Por meio de um sistema mútuo de consultas: o estabelecimento de espaços e frequências para interlocuções, que podem se realizar ora nos gabinetes ora nos espaços culturais.
Você acha que atualmente o setor cultural é suficientemente articulado para construir um movimento sólido em prol da arte?
Parcialmente, sim. Já há um grau razoável de organização dos grupos e movimentos que atuam em arte e cultura no DF, mas todo esse cenário ainda é muito incipiente e a cada governo praticamente se tem de começar tudo do zero no que se refere aos processos de interlocução entre gestores governamentais e gestores sociais.