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Vladimir Carvalho é um cineasta e documentarista brasileiro de origem paraibana. Começou seu curso universitário em João Pessoa, mas transferiu-se para Salvador a fim de ir ao encontro de um dos grandes núcleos do Centro Popular de Cultura CPC da União Nacional dos Estudantes UNE. Freqüentando a Universidade Federal da Bahia conheceu Glauber Rocha e integrou o chamado movimento do cinema novo, sendo parte da vertente documentarista do movimento, ao mesmo tempo, sendo influenciado e influenciando-o também com o estilo de sua cinematografia documentária inovadora.


Qual foi sua avaliação do primeiro bate-papo com o secretário de Cultura pelo projeto Viva Arte?

De modo geral, aquele encontro foi bastante interessante porque o secretário expôs seu plano de gestão, comentou acerca das Conferências de Cultura que ele estava empreendendo em todas as regiões administrativas, e com aquilo ele prestou contas do que estava fazendo, ao mesmo tempo que abria a perspectiva para comentários. E foi o que ocorreu: conversamos, colocamos algumas questões, que foram por ele respondidas, e foi proveitoso. Isso é algo que o Luiz Amorim está pondo em prática desde a campanha eleitoral, com os debates. Mesmo antes disso, ele já vinha seguindo uma espécie de diretriz do próprio Centro Cultural T-Bone, de contribuir para esclarecer a população, chamar os administradores e governantes e estabelecer com isso uma conversa democrática. Não é à toa que foi praticamente na via pública. Isso tem um vínculo muito forte com a noção de democracia. Foi uma experiência interessante para todos nós: os que estavam na mesa, o secretário e o público que estava ali presente, interessado nas questões da cultura. Naturalmente, seguindo este projeto, agora virão os legisladores, os deputados distritais, o que promoverá o acompanhamento da população do que os poderes estão fazendo em Brasília.

As Conferências de Cultura realizadas em todas as regiões administrativas são provas de que o secretário está aberto à opinião popular?

As Conferências de Cultura tiveram por objetivo coletar opiniões, levantar questões em Brasília e todas as satélites e regiões administrativas, e isso é importante porque termina por delinear um perfil das questões da cultura em todo DF, não fica restrito apenas ao Plano Piloto. Isso é também uma coisa que aponta para um processo mais democrático e participativo. Agora no fim de maio haverá a cúpula final deste projeto, a culminância deste processo. Vai ser uma boa oportunidade de o secretário voltar ao T-Bone para comentários e prestação de contas da iniciativa que tomou. Acho que isso tudo parece ser o intuito e a diretiva pensada no coletivo do Centro Cultural T-Bone.

O Hamilton Pereira se reuniu recentemente com o Niemeyer. Ficou combinado que uma equipe do escritório do arquiteto e técnicos da secretaria irão discutir para propor alternativas para os problemas do Cine Brasília, elaborando um projeto de reforma e ampliação de suas instalações. Isso já é um avanço na tão falada revitalização do Cine Brasília?

Isso é esperado primeiro pelos diretamente interessados, que são os produtores, realizadores de cinema em Brasília, os técnicos, artistas etc, mas também é do interesse geral. Está na pauta dos negócios da cultura em Brasília o restauro, a recomposição daquela casa de espetáculos, um cinema realmente importante na vida da cidade, que tem história, é sede do Festival de Cinema de Brasília. Vamos ver o que vai resultar daí. Ao que estou informado, o cinema, se ainda não fechou, está em vias de assim fazer, e isso resultará em tornar o Cine Brasília apto ao uso mais proveitoso, porque nos últimos 10 anos ele foi só perdendo substância. Não fizeram reformas necessárias, há problemas no espaço físico, nas instalações, é preciso realmente repensá-lo. E principalmente, quando voltar à atividade, refazer a sua programação, criar um fluxo de mostras de filmes, de antologias do cinema, procurar fazer com que aquela casa tenha uma vida ativa, e que a população identifique mais uma vez que ali está à disposição dela um centro cultural.

E quanto ao Pólo de Cinema do DF? O que você acha que deve ser feito com relação a ele?

O pólo necessariamente deverá ser revisto e reformado porque, até esta data, foram realizados somente alguns filmes esparsamente utilizando aquelas instalações. Mas não tem um projeto para aquilo, tanto é que ele está às traças, completamente decadente. É necessário que se retome e que se dê um norte, que se ofereça um projeto que atenda não só à questão da realização cinematográfica, da produção dos filmes ali, mas que haja um calendário estabelecido. Isto é um sonho antigo de toda classe cinematográfica de Brasília. O pólo está também inativo e perigosamente inutilizável, aí aquilo vira uma ruína. Isto é brutal para toda a organização da cultura em Brasília, na parte que toca o cinema. É preciso que se tome uma iniciativa.

No debate você falou sobre a revitalização da W3 para torná-la um lugar cultural. Que tipo de ações você sugere?

Eu tenho um pequeno centro cultural na W3, a fundação Cine Memória, que praticamente funciona às escondidas. Foi feita às minhas custas, sem nenhum acréscimo por parte de projeto financiado pelo governo. Eu tenho na minha mente que a W3 só chegaria realmente a ser revitalizada se se consultasse a classe artística, porque nós temos planos na ela. Basta você olhar para o trabalho feito na Biblioteca Demonstrativa pelo pessoal que faz mosaico, que implantou nas paredes da biblioteca um verdadeiro mural de poemas. Uma beleza! Isso se deve ao trabalho e à iniciativa do Gougon, artista plástico, juntamente com um coletivo de poetas com o Nicolas Behr, Chico Alvim, Vicente Sá, entre outros. Então ali foi afixado um verdadeiro painel de poesia. Na nossa memória, a W3 teve aquele antigo teatro da universidade do Pará, o Centro Cultural Cassiano Nunes, tem o Centro Cultural do Sesc, o Centro Cultural da 508 Sul. Então a W3 está a pedir um projeto de restauração, e eu penso que a destinação mais correta é entregar aos artistas, deixar que eles tenham aquele local como um palco, um cenário onde as artes possam acontecer.

O Viva Arte é um observatório da cultura permanente que tem como objetivo mobilizar todas as forças das artes de Brasília, para que juntas possam influenciar nas políticas de apoio e incentivo à cultura no DF. O movimento conta com aqueles que ajudaram e ainda contribuem com o desenvolvimento da cultura na capital federal e não tem caráter político partidário, o seu compromisso é em defesa da arte produzida na cidade.